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Calendário vacinal no Brasil: por que há diferenças?

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Quando o assunto é a carteirinha de vacinação das crianças, muitas vezes surge a dúvida: mas qual dos calendários eu devo seguir? De fato, os calendários apresentam algumas diferenças, no que diz respeito às enfermidades prevenidas e às vacinas recomendadas. O Calendário Nacional de Vacinação, formulado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, contempla as vacinas consideradas prioritárias do ponto de vista de saúde pública. Já o foco dos calendários das sociedades médicas, seguidos pelos serviços privados de imunização, é a proteção individual.

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Reconhecido internacionalmente por sua qualidade, o PNI oferece gratuitamente todas as vacinas que evitam as doenças mais comuns na população, nas faixas etárias com maior risco de adoecer e de apresentar complicações. Antes de incluir uma nova vacina em seu calendário, o Ministério da Saúde também avalia o quanto esta medida pode reduzir os gastos do sistema de saúde com tratamentos e internações, e até os dias de trabalho perdidos pelo paciente e seus familiares.

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Em contrapartida, os serviços privados de vacinação seguem calendários com o olhar na saúde individual. Por isso, os calendários podem recomendar a prevenção de outras enfermidades e faixas etárias que não estão previstas no PNI. Também pode haver diferenças no número de doses administradas, no intervalo de aplicação de cada dose, nos tipos de vacinas a serem utilizadas e na cobertura para determinadas doenças. (saiba mais sobre essas diferenças aqui).
 
Vale lembrar que os calendários são dinâmicos. Periodicamente, o Ministério da Saúde e as sociedades médicas emitem versões atualizadas que podem conter novas vacinas, indicações para outras faixas etárias e alterações do esquema vacinal. Para estar sempre em dia com essas atualizações, os pais devem levar a carteira de vacinação de seus filhos nas consultas médicas para a avaliação junto ao pediatra.
 
Ao todo, atualmente, os pais têm a oportunidade de imunizar seus filhos contra mais de 20 doenças infectocontagiosas. O mais importante é conhecer todas as opções de proteção que existem contra essas enfermidades, especialmente quando há diferenças entre as vacinas e na cobertura que elas proporcionam.  E, para tornar essa tarefa mais fácil, vamos dividir com você a versão mais atual do calendário vacinal da criança da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que traz as vacinas recomendadas para crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, contemplando as doses previstas para cada faixa etária, bem como a disponibilidade delas nos postos de saúde ou nas clínicas particulares.

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Dica muito importante: não se esqueça que completar o esquema vacinal adequado para a idade da criança, sem atrasos, é um fator que contribui para uma melhor resposta às vacinas. Agora que você já conferiu o nosso calendário, aproveite para se informar, a seguir, sobre as peculiaridades relacionadas a algumas dessas vacinas:

•    Tríplice bacteriana – As duas vacinas existentes, produzidas com células inteiras e com proteínas (acelular), são muito seguras. A vantagem em se fazer a DPT acelular em relação à vacina de célula inteira (entenda aqui a diferença entre as duas) é a menor probabilidade do surgimento de eventos adversos, em especial a febre. Adolescentes com esquema primário desta vacina devem receber a dose de reforço aos 14 anos, com DT ou tríplice acelular.

•    Haemophilus Influenza tipo B (Hib) a vacina pentavalente disponível nos postos de saúde previne também o HIB e deve ser administrada em três doses. A vacina oferecida pelo sistema privado, que contém o componente contra HIB combinado com a vacina tríplice bacteriana acelular, deve ser administrada em quatro doses.
 
•    Pneumocócicas conjugadas – A vacina 10-valente oferecida pela rede pública deve ser administrada em duas doses, aos 2 e 4 meses, além de uma dose de reforço aos 12 meses. Já a vacina 13-valente, disponível no serviço privado, requer três doses aos 2, 4 e 6 meses, bem como um reforço aos 12 meses. Crianças saudáveis com esquema completo com a vacina 10-valente também podem receber uma dose adicional da vacina 13-valente até os 5 anos, para ampliar a proteção contra os sorotipos adicionais dessa bactéria (conheça as diferenças entre essas duas vacinas aqui)

•    Meningocócicas conjugadas – por oferecer maior espectro de proteção, o uso da vacina contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria meningococo é preconizado pela SBP, sempre que possível. O esquema vacinal contempla duas ou três doses, que devem ser dadas a partir dos três meses de idade (a depender a vacina utilizada). São recomendados três reforços: aos 12 meses, aos cinco e aos 11 anos.  Essa vacina também pode ser oferecida como reforço as crianças que foram vacinadas previamente apenas contra o sorogrupo C (veja mais informações sobre essas duas opções aqui).

•    Influenza (gripe) – a vacina deve ser ministrada anualmente em crianças a partir de 6 meses. Crianças com até 9 anos que nunca foram vacinadas devem receber na primeira imunização duas doses, com um mês de intervalo.

•    Varicela (catapora) – é recomendada a administração de duas doses para crianças após 1 ano de idade. O Ministério da Saúde introduziu a vacina tetravalente contra catapora, sarampo, caxumba e rubéola aos 15 meses e o reforço deve ser aplicado aos 4 anos de idade.  

•    HPV – no Brasil, existem duas vacinas licenciadas: a HPV 4, para ambos os sexos, e a HPV2, apenas para as meninas, recomendadas a partir de 9 anos de idade, prevenindo contra o câncer e verrugas genitais.

•    Hepatite B – a criança deve receber a vacina específica contra a hepatite B ao nascer. Depois, a vacinação de rotina prevê a aplicação de duas ou 3 doses da vacina combinada que protege contra hepatite B e também contra outras doenças como de difteria, tétano, coqueluche e Hib.

 

Referências:

SBIM. Calendário Vacinal SBIm 2020/2021: Do nascimento à terceira idade. Disponível no portal: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-0-100.pdf Acesso em: 30/09/2020.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Calendário Nacional de Vacinação – 2020. Disponível no portal: https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Imuniza%C3%A7%C3%A3o/Calendario Nacional de Vacinacao%20-%202020.pdf Acesso em: 30/09/2020.
BALLALAI, Isabella; BRAVO, Flavia (Org.). Imunização: tudo o que você sempre quis saber. Rio de Janeiro: RMCOM, 2016. Disponível no portal: https://sbim.org.br/images/books/imunizacao-tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-200923.pdf  Acesso em: 30/09/2020.

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No Brasil, todas as vacinas oferecidas pelos postos de saúde e pelas clínicas particulares de vacinação são aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após um rigoroso processo que avalia a eficácia e a segurança desses produtos. Mas existem algumas diferenças em relação à cobertura oferecida por essas vacinas e ao esquema vacinal adotado em cada uma das redes.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o Brasil conta com um dos melhores programas de vacinação do mundo. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) existe há mais de 40 anos e oferece gratuitamente, por meio dos postos de saúde, as vacinas que evitam as doenças mais comuns na população, nas faixas etárias com maior risco de adoecer e de apresentar complicações. Essas vacinas são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, quando pensamos na sociedade como um todo.

Já as clínicas particulares oferecem as vacinas indicadas pelas sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), com foco na proteção individual de cada criança. Os calendários dessas sociedades podem contemplar vacinas com formulações diferentes das oferecidas nos postos de saúde e adotar esquemas vacinais distintos dos estabelecidos pelo PNI.  São, portanto, estratégias diferentes e igualmente importantes, que se complementam.

Enfermidades que provocam lesões na pele são comuns na infância. A maioria delas tem origem infecciosa, como é o caso da catapora (varicela). Provocada pelo vírus Varicela Zoster, essa doença, altamente contagiosa, acomete, em geral, crianças entre dois e oito anos, principalmente no final do inverno e durante a primavera.

Os sintomas iniciais da catapora se assemelham aos de um resfriado: febre, coriza e tosse. Até que aparecem pequenas manchas avermelhadas no tronco, que progridem para a face e extremidades do corpo, provocando muita coceira. Com o tempo, as lesões formam bolinhas vermelhas (pápulas), que evoluem para pequenas bolhas (vesículas) e, depois se rompem e criam crostas. Uma das particularidades da doença é a existência de lesões em diferentes fases, de modo simultâneo. Ou seja: o paciente pode apresentar, ao mesmo tempo, pápulas, bolhas e crostas1.

Devido ao recente aumento de casos de sarampo, principalmente na região Norte do país, a doença volta a colocar em risco a saúde das crianças brasileiras. Desde 2016 o Brasil era considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um território livre de sarampo1. A partir de um surto na Venezuela, próximo à fronteira com o Brasil, esta enfermidade altamente contagiosa voltou a circular no território nacional2. Imunizar as crianças com a vacina tríplice viral é a melhor forma de combater esta ameaça. Além de prevenir o sarampo, ela oferece proteção também contra a caxumba e a rubéola.

Uma pesquisa do IBOPE Conecta3 mostra que a maioria dos pais conhece a tríplice viral. Inclusive, ela encabeça a lista das vacinas mais lembradas que demandam doses de reforço. Apesar disso, as taxas de imunização com a tríplice viral vêm caindo nos últimos anos, como revelam os dados do Ministério da Saúde.

Nos primeiros três anos de vida, a maioria das crianças apresenta pelo menos um episódio de otite média aguda, uma inflamação na mucosa que reveste a região mediana do ouvido. Um dos principais sintomas é a dor intensa, trazendo grande desconforto para os bebês. A enfermidade pode causar, ainda, febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas e vômito. O uso de antibiótico pode ser necessário no tratamento, a depender da idade e dos sinais e sintomas muitas vezes1.
 
A imaturidade do sistema imunológico das crianças menores e as características anatômicas do ouvido infantil ajudam a explicar porque a otite média é mais comum nessa faixa etária.  Na comparação com os adultos, a tuba auditiva das crianças é mais curta e horizontalizada em relação ao nariz e ao ouvido.  Essa posição favorece um acúmulo maior de secreções na região mediana do ouvido, transformando o local em um ambiente propício para a proliferação de micro-organismos.

A tosse pode ser um sintoma de diferentes enfermidades. Quadros mais arrastados e persistentes, merecem uma atenção especial e devem ser conduzidos pelos pediatras para investigação da origem e direcionamento do tratamento1.
 
Em primeiro lugar, é importante que os pais estejam atentos às características da tosse que a criança apresenta. Por exemplo, se a tosse é seca ou produtiva – ou seja, acompanhada de secreção clara, fluida ou espessa². Outras informações importantes são os horários nos quais a tosse costuma surgir³, bem como a sua intensidade: se é fraca ou forte, intermitente ou contínua, se tem algum fator desencadeante, como o contato com poeira ou cheiros fortes e se ocorre juntamente com outros sintomas, como chiado, vômito, dor de cabeça e desmaio4. A identificação desse conjunto de características pode contribuir para o diagnóstico.

Quando o assunto é a carteirinha de vacinação das crianças, muitas vezes surge a dúvida: mas qual dos calendários eu devo seguir? De fato, os calendários apresentam algumas diferenças, no que diz respeito às enfermidades prevenidas e às vacinas recomendadas. O Calendário Nacional de Vacinação, formulado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, contempla as vacinas consideradas prioritárias do ponto de vista de saúde pública. Já o foco dos calendários das sociedades médicas, seguidos pelos serviços privados de imunização, é a proteção individual.

Crianças pequenas formam um dos grupos mais vulneráveis às doenças meningocócicas, que são causadas pela bactéria Neisseria meningitidis, ou meningococo. Entre essas enfermidades destaca-se a meningite, infecção que ataca as membranas (meninges) que envolvem o cérebro, a medula espinhal e outras regiões do sistema nervoso central.
 
A meningite meningocócica é muito preocupante porque pode progredir de forma rápida, apresentar mortalidade elevada e deixar sequelas importantes, como perda auditiva, alterações neurológicas irreversíveis e lesões cutâneas graves, que podem comprometer os membros. O meningococo pode penetrar na corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a meningococcemia1.

No Brasil, a pneumonia é uma das doenças respiratórias mais comuns, provocando milhares de internações e mortes a cada ano, especialmente nas crianças mais novas, de acordo com dados do Ministério da Saúde.  Mas, embora bactérias, vírus e fungos possam provocar a doença, três em cada 10 casos estão relacionados a uma bactéria específica: o pneumococo¹.
 
A boa notícia é que é possível imunizar as crianças contra os principais tipos de pneumococo por meio das vacinas pneumocócicas conjugadas. Você já ouviu falar sobre elas?  A indicação aparece na caderneta de vacinação do seu filho, pode conferir. Apesar disso, apenas 33% dos pais brasileiros sabem que é possível vacinar os filhos contra alguns tipos de pneumonia, segundo uma pesquisa recente feita pelo IBOPE Conecta em todas as regiões do País².

Mais de 20 doenças infectocontagiosas podem ser prevenidas por meio da vacinação na infância. Difteria, tétano e coqueluche estão entre elas. Essas três enfermidades são provocadas por diferentes bactérias e podem ser evitadas por meio de uma vacina combinada conhecida como tríplice bacteriana.

A proteção contra as três doenças está disponível tanto na rede particular quanto nos postos de saúde. Mas existem algumas diferenças entre as duas opções. Embora ofereçam o mesmo espectro de proteção, ambas apresentam constituições diferentes.

Nos postos de saúde as crianças são imunizadas com a DTP. Trata-se de uma vacina que utiliza a bactéria Bordetella pertussis, causadora da coqueluche, de forma integral. Por isso é conhecida como vacina de células inteiras. O serviço privado de imunização oferece a DTP acelular, uma vacina desenvolvida apenas com os fragmentos da bactéria que estimulam a produção de anticorpos. 

A poliomielite foi um grande problema de saúde pública mundial do século 20, quando provocou grandes epidemias, acometendo principalmente crianças pequenas. Altamente contagiosa, a doença é transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados pelo poliovírus. Pessoas infectadas também contagiam outras ao expelir gotículas, quando falam, tossem ou espirram. No intestino, o micro-organismo se multiplica, podendo atingir o sistema nervoso, destruir os neurônios motores e paralisar os membros inferiores.

O desenvolvimento das vacinas permitiu a realização de grandes campanhas de imunização, que levaram à redução da poliomielite no mundo. Em 1988, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a iniciativa global de erradicação de poliomielite, que resultou na vacinação de 2,5 bilhões de crianças em 200 países. Em 1994, as Américas foram declaradas livres da poliomielite. O mesmo ocorreu com o Pacífico Oeste em 2000 e com o continente europeu em 2002.  Atualmente, a transmissão da doença persiste em três países: Afeganistão, Paquistão e Nigéria1.

Mito. O esquema primário de vacinação prevê a administração de um determinado número de doses, que variam de acordo com cada vacina, para estimular a produção de anticorpos contra uma doença. Com o passar do tempo, a quantidade de anticorpos pode cair, fazendo com que o organismo necessite de doses suplementares para restabelecer o nível original1. Por isso, se a criança não receber a dose de reforço poderá ter a resposta vacinal comprometida.

Mito. Proteger as crianças da chuva e do sereno para evitar a pneumonia e outras doenças infectocontagiosas é um dos conselhos mais ouvidos pelos pais. Inclusive, uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Conecta1 revela que seis a cada dez pais têm a falsa percepção de que esses são os fatores que mais expõem as crianças às infecções.

Mito. Essa crença equivocada ainda persiste no imaginário de muitas famílias brasileiras. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE Conecta revela que, pelo menos, 1 a cada cinco pais entrevistados acredita que as vacinas podem causar as doenças que deveriam prevenir1. Além disso, a porcentagem daqueles que têm dúvidas sobre este assunto também se mostra alta, chegando a 26% da média dos entrevistados.
Na verdade, as vacinas apresentam uma grande margem de segurança, porque são desenvolvidas a partir de vírus e bactérias inativados (mortos) ou atenuados (enfraquecidos). Antes de chegar aos postos de saúde e aos serviços privados de imunização, as vacinas passam por um rigoroso processo de análise por agências regulatórias de todo o mundo, inclusive a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atestam sua eficácia e segurança.

Existe uma relação entre as duas doenças, mas é importante reforçar que a vacinação contra a gripe não protege diretamente contra as pneumonias. Estamos falando de duas doenças diferentes, de modo que existem vacinas específicas para cada uma delas.  
 
Assim, enquanto a gripe está associada ao vírus influenza, a pneumonia pode ser provocada vírus, fungos e bactérias, entre as quais se destaca o pneumococo. É possível, contudo, imunizar as crianças contra os principais tipos de pneumococo que circulam no País por meio das vacinas pneumocócicas conjugadas (conheça essas vacinas mais a fundo aqui).

A meningite é uma infecção que leva a uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Trata-se da doença mais temida pelos pais dos bebês brasileiros de 0 a 2 anos, segundo uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Conecta em todas as regiões do País¹. Mas, apesar desse temor, será que as famílias estão atentas aos sintomas e às formas de prevenção contra essa doença?

Em primeiro lugar, vale destacar que as meningites podem ser provocadas por fungos, bactérias e vírus. Os casos de origem bacteriana, porém, são os mais preocupantes, pois apresentam progressão rápida, estão associados a uma mortalidade elevada e podem deixar sequelas importantes, como perda auditiva, alterações neurológicas irreversíveis e lesões cutâneas graves, com risco de amputações.

Verdade. O antibiótico não é motivo para os pais deixarem de imunizar seus filhos, principalmente, se eles estiverem bem1. Mas vale ficar atento se o pequeno estiver com febre, neste caso, é preciso esperar pela sua recuperação antes de administrar a vacina.

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No Brasil, todas as vacinas oferecidas pelos postos de saúde e pelas clínicas particulares de vacinação são aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após um rigoroso processo que avalia a eficácia e a segurança desses produtos. Mas existem algumas diferenças em relação à cobertura oferecida por essas vacinas e ao esquema vacinal adotado em cada uma das redes.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o Brasil conta com um dos melhores programas de vacinação do mundo. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) existe há mais de 40 anos e oferece gratuitamente, por meio dos postos de saúde, as vacinas que evitam as doenças mais comuns na população, nas faixas etárias com maior risco de adoecer e de apresentar complicações. Essas vacinas são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, quando pensamos na sociedade como um todo.

Já as clínicas particulares oferecem as vacinas indicadas pelas sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), com foco na proteção individual de cada criança. Os calendários dessas sociedades podem contemplar vacinas com formulações diferentes das oferecidas nos postos de saúde e adotar esquemas vacinais distintos dos estabelecidos pelo PNI.  São, portanto, estratégias diferentes e igualmente importantes, que se complementam.

Enfermidades que provocam lesões na pele são comuns na infância. A maioria delas tem origem infecciosa, como é o caso da catapora (varicela). Provocada pelo vírus Varicela Zoster, essa doença, altamente contagiosa, acomete, em geral, crianças entre dois e oito anos, principalmente no final do inverno e durante a primavera.

Os sintomas iniciais da catapora se assemelham aos de um resfriado: febre, coriza e tosse. Até que aparecem pequenas manchas avermelhadas no tronco, que progridem para a face e extremidades do corpo, provocando muita coceira. Com o tempo, as lesões formam bolinhas vermelhas (pápulas), que evoluem para pequenas bolhas (vesículas) e, depois se rompem e criam crostas. Uma das particularidades da doença é a existência de lesões em diferentes fases, de modo simultâneo. Ou seja: o paciente pode apresentar, ao mesmo tempo, pápulas, bolhas e crostas1.

Devido ao recente aumento de casos de sarampo, principalmente na região Norte do país, a doença volta a colocar em risco a saúde das crianças brasileiras. Desde 2016 o Brasil era considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um território livre de sarampo1. A partir de um surto na Venezuela, próximo à fronteira com o Brasil, esta enfermidade altamente contagiosa voltou a circular no território nacional2. Imunizar as crianças com a vacina tríplice viral é a melhor forma de combater esta ameaça. Além de prevenir o sarampo, ela oferece proteção também contra a caxumba e a rubéola.

Uma pesquisa do IBOPE Conecta3 mostra que a maioria dos pais conhece a tríplice viral. Inclusive, ela encabeça a lista das vacinas mais lembradas que demandam doses de reforço. Apesar disso, as taxas de imunização com a tríplice viral vêm caindo nos últimos anos, como revelam os dados do Ministério da Saúde.

Nos primeiros três anos de vida, a maioria das crianças apresenta pelo menos um episódio de otite média aguda, uma inflamação na mucosa que reveste a região mediana do ouvido. Um dos principais sintomas é a dor intensa, trazendo grande desconforto para os bebês. A enfermidade pode causar, ainda, febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas e vômito. O uso de antibiótico pode ser necessário no tratamento, a depender da idade e dos sinais e sintomas muitas vezes1.
 
A imaturidade do sistema imunológico das crianças menores e as características anatômicas do ouvido infantil ajudam a explicar porque a otite média é mais comum nessa faixa etária.  Na comparação com os adultos, a tuba auditiva das crianças é mais curta e horizontalizada em relação ao nariz e ao ouvido.  Essa posição favorece um acúmulo maior de secreções na região mediana do ouvido, transformando o local em um ambiente propício para a proliferação de micro-organismos.

A tosse pode ser um sintoma de diferentes enfermidades. Quadros mais arrastados e persistentes, merecem uma atenção especial e devem ser conduzidos pelos pediatras para investigação da origem e direcionamento do tratamento1.
 
Em primeiro lugar, é importante que os pais estejam atentos às características da tosse que a criança apresenta. Por exemplo, se a tosse é seca ou produtiva – ou seja, acompanhada de secreção clara, fluida ou espessa². Outras informações importantes são os horários nos quais a tosse costuma surgir³, bem como a sua intensidade: se é fraca ou forte, intermitente ou contínua, se tem algum fator desencadeante, como o contato com poeira ou cheiros fortes e se ocorre juntamente com outros sintomas, como chiado, vômito, dor de cabeça e desmaio4. A identificação desse conjunto de características pode contribuir para o diagnóstico.

Quando o assunto é a carteirinha de vacinação das crianças, muitas vezes surge a dúvida: mas qual dos calendários eu devo seguir? De fato, os calendários apresentam algumas diferenças, no que diz respeito às enfermidades prevenidas e às vacinas recomendadas. O Calendário Nacional de Vacinação, formulado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, contempla as vacinas consideradas prioritárias do ponto de vista de saúde pública. Já o foco dos calendários das sociedades médicas, seguidos pelos serviços privados de imunização, é a proteção individual.

Crianças pequenas formam um dos grupos mais vulneráveis às doenças meningocócicas, que são causadas pela bactéria Neisseria meningitidis, ou meningococo. Entre essas enfermidades destaca-se a meningite, infecção que ataca as membranas (meninges) que envolvem o cérebro, a medula espinhal e outras regiões do sistema nervoso central.
 
A meningite meningocócica é muito preocupante porque pode progredir de forma rápida, apresentar mortalidade elevada e deixar sequelas importantes, como perda auditiva, alterações neurológicas irreversíveis e lesões cutâneas graves, que podem comprometer os membros. O meningococo pode penetrar na corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a meningococcemia1.

No Brasil, a pneumonia é uma das doenças respiratórias mais comuns, provocando milhares de internações e mortes a cada ano, especialmente nas crianças mais novas, de acordo com dados do Ministério da Saúde.  Mas, embora bactérias, vírus e fungos possam provocar a doença, três em cada 10 casos estão relacionados a uma bactéria específica: o pneumococo¹.
 
A boa notícia é que é possível imunizar as crianças contra os principais tipos de pneumococo por meio das vacinas pneumocócicas conjugadas. Você já ouviu falar sobre elas?  A indicação aparece na caderneta de vacinação do seu filho, pode conferir. Apesar disso, apenas 33% dos pais brasileiros sabem que é possível vacinar os filhos contra alguns tipos de pneumonia, segundo uma pesquisa recente feita pelo IBOPE Conecta em todas as regiões do País².

Mais de 20 doenças infectocontagiosas podem ser prevenidas por meio da vacinação na infância. Difteria, tétano e coqueluche estão entre elas. Essas três enfermidades são provocadas por diferentes bactérias e podem ser evitadas por meio de uma vacina combinada conhecida como tríplice bacteriana.

A proteção contra as três doenças está disponível tanto na rede particular quanto nos postos de saúde. Mas existem algumas diferenças entre as duas opções. Embora ofereçam o mesmo espectro de proteção, ambas apresentam constituições diferentes.

Nos postos de saúde as crianças são imunizadas com a DTP. Trata-se de uma vacina que utiliza a bactéria Bordetella pertussis, causadora da coqueluche, de forma integral. Por isso é conhecida como vacina de células inteiras. O serviço privado de imunização oferece a DTP acelular, uma vacina desenvolvida apenas com os fragmentos da bactéria que estimulam a produção de anticorpos. 

A poliomielite foi um grande problema de saúde pública mundial do século 20, quando provocou grandes epidemias, acometendo principalmente crianças pequenas. Altamente contagiosa, a doença é transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados pelo poliovírus. Pessoas infectadas também contagiam outras ao expelir gotículas, quando falam, tossem ou espirram. No intestino, o micro-organismo se multiplica, podendo atingir o sistema nervoso, destruir os neurônios motores e paralisar os membros inferiores.

O desenvolvimento das vacinas permitiu a realização de grandes campanhas de imunização, que levaram à redução da poliomielite no mundo. Em 1988, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a iniciativa global de erradicação de poliomielite, que resultou na vacinação de 2,5 bilhões de crianças em 200 países. Em 1994, as Américas foram declaradas livres da poliomielite. O mesmo ocorreu com o Pacífico Oeste em 2000 e com o continente europeu em 2002.  Atualmente, a transmissão da doença persiste em três países: Afeganistão, Paquistão e Nigéria1.

Mito. O esquema primário de vacinação prevê a administração de um determinado número de doses, que variam de acordo com cada vacina, para estimular a produção de anticorpos contra uma doença. Com o passar do tempo, a quantidade de anticorpos pode cair, fazendo com que o organismo necessite de doses suplementares para restabelecer o nível original1. Por isso, se a criança não receber a dose de reforço poderá ter a resposta vacinal comprometida.

Mito. Proteger as crianças da chuva e do sereno para evitar a pneumonia e outras doenças infectocontagiosas é um dos conselhos mais ouvidos pelos pais. Inclusive, uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Conecta1 revela que seis a cada dez pais têm a falsa percepção de que esses são os fatores que mais expõem as crianças às infecções.

Mito. Essa crença equivocada ainda persiste no imaginário de muitas famílias brasileiras. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE Conecta revela que, pelo menos, 1 a cada cinco pais entrevistados acredita que as vacinas podem causar as doenças que deveriam prevenir1. Além disso, a porcentagem daqueles que têm dúvidas sobre este assunto também se mostra alta, chegando a 26% da média dos entrevistados.
Na verdade, as vacinas apresentam uma grande margem de segurança, porque são desenvolvidas a partir de vírus e bactérias inativados (mortos) ou atenuados (enfraquecidos). Antes de chegar aos postos de saúde e aos serviços privados de imunização, as vacinas passam por um rigoroso processo de análise por agências regulatórias de todo o mundo, inclusive a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atestam sua eficácia e segurança.

Existe uma relação entre as duas doenças, mas é importante reforçar que a vacinação contra a gripe não protege diretamente contra as pneumonias. Estamos falando de duas doenças diferentes, de modo que existem vacinas específicas para cada uma delas.  
 
Assim, enquanto a gripe está associada ao vírus influenza, a pneumonia pode ser provocada vírus, fungos e bactérias, entre as quais se destaca o pneumococo. É possível, contudo, imunizar as crianças contra os principais tipos de pneumococo que circulam no País por meio das vacinas pneumocócicas conjugadas (conheça essas vacinas mais a fundo aqui).

A meningite é uma infecção que leva a uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Trata-se da doença mais temida pelos pais dos bebês brasileiros de 0 a 2 anos, segundo uma pesquisa recente realizada pelo IBOPE Conecta em todas as regiões do País¹. Mas, apesar desse temor, será que as famílias estão atentas aos sintomas e às formas de prevenção contra essa doença?

Em primeiro lugar, vale destacar que as meningites podem ser provocadas por fungos, bactérias e vírus. Os casos de origem bacteriana, porém, são os mais preocupantes, pois apresentam progressão rápida, estão associados a uma mortalidade elevada e podem deixar sequelas importantes, como perda auditiva, alterações neurológicas irreversíveis e lesões cutâneas graves, com risco de amputações.

Verdade. O antibiótico não é motivo para os pais deixarem de imunizar seus filhos, principalmente, se eles estiverem bem1. Mas vale ficar atento se o pequeno estiver com febre, neste caso, é preciso esperar pela sua recuperação antes de administrar a vacina.